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Como usar a crase sem crise

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Objetivos
Esclarecer os alunos sobre a o uso correto de sinais de pontuação e acentuação

Introdução
Ao tentar minimizar o terror que assalta muitos usuários da língua portuguesa quando precisam empregar o acento grave, o poeta Ferreira Gullar saiu-se com uma justificativa espirituosa: "A crase não foi feita para humilhar ninguém". O escritor gaúcho Moacyr Scliar discorda dessa opinião e afirma, numa crônica deliciosa, que a crase foi feita, sim, para humilhar as pessoas. Por causa dela, ainda segundo Scliar, a população brasileira pode ser dividida em duas classes: uma minoria, que sabe utilizar com propriedade o fenômeno fonético, e a maioria, que tem medo existencial desse sinal gráfico. Rebelde e provocador, o humorista Millôr Fernandes vai mais longe e assume, com todas as letras, que é contra a crase, pois "ela não existe. É uma invenção em português do Brasil". Se a questão provoca declarações apaixonadas desses três autores, o que dizer do nó que dá na cabeça da garotada? Nada melhor do que colocar o tema em pauta e ensinar que a crase não envolve mistérios. Basta conhecer as normas que regem seu uso e... praticar.

Peça que todos pesquisem o conceito de crase. De forma geral, eles vão ler que o fenômeno fonético é resultado da fusão entre a preposição a com o artigo definido feminino singular ou plural a, as ou ainda com o a inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquilo, aquela... Na escrita, sinaliza-se com o acento grave. Reforce a noção de que a crase não é simplesmente um sinal que vai sobre a letra a, como acredita boa parte das pessoas, mas uma indicação de fusão. A expressão, aliás, deriva do vocábulo grego krásis ? que significa mistura, combinação.

Atividades
Proponha um exercício inusitado que tem tudo para agradar os alunos. Divididos em grupos, eles devem consultar os índices de conteúdo das gramáticas e anotar os itens que julgam passíveis de eliminação do currículo, seja porque são complicados, opressores ou obsoletos, ou ainda porque as regras de uso são de difícil entendimento. A produtividade vai melhorar se você estabelecer um prazo mais ou menos rígido para a discussão dos argumentos. O relator de cada equipe fica encarregado de elaborar uma lista de motivos favoráveis e contrários à supressão dos conteúdos.

Exponha razões que defendem a extinção da crase. Mas explique que tudo não passa de brincadeira, pois ela é uma regra e seu fim causaria confusão na leitura de certas construções. Exemplifique com a frase "Vendo a vista". Quatro das possíveis interpretações são traduzidas nos desenhos que ilustram este roteiro. Explore os desenhos com a moçada, perguntando se algum dos contextos exige crase.

Em seguida, leia a notícia do projeto de lei do deputado João Herrmann Neto e examine os pontos de vista de Millôr Fernandes e Moacyr Scliar. Depois, deixe que o relator de cada grupo apresente os conteúdos que a turma quer limar do idioma. Existe alguma unanimidade? Os argumentos coincidem? Anote no quadro as colocações dos estudantes.

Concluídas as exposições, apresente uma contra-argumentação à proposta de Millôr e Scliar. Informe que o fenômeno fonético da crase teve origem no alfabeto criado pelos gregos na Antiguidade e foi muito importante na evolução do latim para o português. Uma rápida consulta aos livros de gramática trará casos esclarecedores para a compreensão geral. Evidencie que acabar com o acento grave pode parecer uma tentativa desesperada, fruto de uma certa má vontade dos usuários para estudar e aprender seu emprego correto. Ajude os alunos a perceber que o simples sumiço do sinal gráfico não resolve o problema ? tampouco os chamados macetes, as listas de regras e decorebas. A saída são os velhos e bons exercícios de leitura e escrita, por meio dos quais os falantes adquirem experiência para intuir onde há fusões e aí aplicar a crase com serenidade. Se houver receio quanto ao emprego, a gramática continua sendo o melhor tira-dúvidas.

Solicite redações individuais sobre o assunto. Uma alternativa é cada um iniciar o texto contando suas dificuldades para usar a crase. Monte uma antologia com os trabalhos e, se for o caso, promova uma revisão dos mesmos na aula seguinte. Se houver erros, trate a questão com naturalidade e reforce a idéia de que o estudo e a prática ? e somente eles ? nos ajudam a encarar o acento grave sem inibição ou medo.

Para ler e pensar

Tropeçando nos acentos
Moacyr Scliar
Alguém já disse que os ingleses conquistaram o mundo porque não precisavam perder tempo acentuando as palavras. Pode não ser verdade, mas o gasto de energia representado pelos agudos, pelos circunflexos, pelos tremas, impressiona. E a pergunta é: para quê, mesmo? Alguém já disse que a crase não foi feita para humilhar ninguém. Tenho minhas dúvidas: acho que a crase foi feita, sim, para humilhar. A população se divide em pobres e ricos, mas também se divide em dois grupos, os que sabem usar a crase, a minoria, e a maioria que tem um medo existencial a este sinal. (...) Há duas soluções para o problema. Uma é representada por esses dispositivos de correção que hoje fazem parte dos programas de computação (mas que às vezes cometem erros lamentáveis). Outra seria uma revolução na grafia que reduzisse os acentos ao mínimo possível ou, melhor ainda, a zero.

Trecho de crônica publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre

Para ir mais longe

Deputado propõe o fim da crase
O acento indicativo de crase poderá ser eliminado da língua portuguesa, caso o Projeto de Lei 5154/05, do deputado João Hermann Neto (PDT-SP), seja aprovado pela Câmara. (...) Segundo ele, a crase só serve para "humilhar muita gente". Para o deputado, a maior parte da população ignora a ocorrência da crase na maioria das expressões em que ela aparece. "As ambigüidades podem ser desfeitas com o estudo e a análise do texto, sem considerar esse sinal obsoleto que o povo já fez morrer", defende.

Notícia divulgada pela Agência Câmara em junho de 2005

 

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/como-usar-crase-crise-475416.shtml

 
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