Sete instituições compõem o consórcio das Universidades Federais do Sul-Sudeste de Minas Gerais. Ideia é que o projeto comece a funcionar em 2011.
Os reitores das sete universidades federais mineiras que vão formar um consórcio apresentaram, nesta segunda-feira (25), para o ministro da Educação, Fernando Haddad, a Pré-Proposta do Plano de Desenvolvimento Institucional do Consórcio (PDIC). O documento é um instrumento de planejamento e de gestão e contém os objetivos e as diretrizes das Universidades consorciadas para o quinquênio 2011-2015. Na reunião realizada em Belo Horizonte, o ministro ressaltou a importância do projeto e da criação de uma lei que dê respaldo ao consórcio. Segundo ele, “a proposta é tão importante, que ela mereceria uma nota na lei, uma sinalização legal, de que ela é bem vinda e pode potencializar a produção científica.”
O Consórcio das Universidades Federais do Sul-Sudeste de Minas Gerais será formado pelas universidades federais de Alfenas (Unifal), de Itajubá (Unifei), de Juiz de Fora (UFJF), de Lavras (Ufla), de Ouro Preto (Ufop), de São João Del Rey (UFSJ) e de Viçosa (UFV).
O Reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Luiz Cláudio Costa, é o coordenador geral do projeto. Costa apresentou ao ministro, além da pré-proposta, características das regiões onde se localizam as instituições, números e estatísticas. Ele ressaltou a localização estratégica das universidades. Segundo ele, esta é a única região do Brasil que possui sete universidades separadas por um raio de cerca de 200 km, próximas das capitais de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A próxima etapa dos trabalhos é a discussão nos Conselhos Superiores e nas comunidades acadêmicas. O reitor da UFV espera que no início de novembro os conselhos já possam apresentar a sinalização das universidades sobre a pré-adesão ou não. A expectativa é que o consórcio comece a funcionar em 2011. De acordo com o ministro Haddad, “se houver da parte dos Conselhos Superiores uma sinalização, ainda que preliminar, de que o caminho é o consorciamento, me comprometo a negociar junto à Casa Civil e ao Ministério do Planejamento uma alteração na nossa Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para dar guarita a essa proposta”.
A criação do Consórcio vai permitir a integração acadêmica nas áreas de ensino, principalmente no que se refere a mobilidade estudantil, pesquisa e extensão, maior eficiência na captação e aplicação de recursos, parcerias para atuação nas áreas de inovação e novas tecnologias e desenvolvimento social e em outras áreas estratégicas. O Secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Evaldo Vilela, representou o governo de Minas na reunião, ele ressaltou o apoio do governo ao projeto e destacou a importância do empreendedorismo nas universidades. De acordo com Vilela, além de um profissional da pesquisa e do ensino, as universidades precisam criar um empresário. Segundo ele, “aquela tese, aquele conhecimento novo, aquela tecnologia, pode gerar uma empresa, pode gerar uma patente”.
Representantes de entidades estudantis também compareceram ao evento. Os estudantes manifestaram apoio ao projeto, mas reivindicaram maior participação. A presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), Luiza Lafetá, afirmou que os estudantes vão entrar nas discussões a partir desta fase. Ela lembrou que as reuniões para discussão do consórcio são abertas, “porém não fomos chamados a participar”. A primeira reunião com a participação efetiva dos estudantes será em Alfenas.
Estrutura
O Consórcio reúne 239 cursos de graduação, oferece mais de 13 mil vagas e atende a mais de 48 mil alunos matriculados na graduação presencial. Já na pós-graduação, oferece 145 programas, sendo 4 com conceito 7, máximo definido pela Capes, 3 com conceito 6 e 20 com conceito 5, todos considerados de excelência.
São mais de 3 mil alunos de mestrado e 1.700 de doutorado. Se consorciadas, as sete universidades reúnem 4.390 docentes e 5.968 técnico-administrativos.
Mobilidade acadêmica
Implantação da matrícula cruzada para permitir que alunos façam disciplinas entre as consorciadas; realização de treinamentos em novas tecnologias de pesquisa e ensino; formação de um banco de assessores e consultores; troca de experiências e contribuição para capacitar pessoal de outra instituição. Outro ponto de convergência é a criação do Centro de Estudos Avançados, uma estrutura presente em grandes academias e fundamental para pensar estratégias para a ciência, ensino e cultura.
Assistência Estudantil
Para possibilitar que os alunos se matriculem interinstitucionalmente em uma das setes universidades a serem consorciadas, o grupo de Assistência Estudantil está desenvolvendo políticas que viabilizem esses trâmites inclusive para aqueles discentes que possuem vulnerabilidade socioeconômica. A Assistência é a responsável por ser gestora dos equipamentos sociais que garantem a permanência dos alunos no ensino superior.
Vestibular e Graduação
Uma das mudanças mais significativas propostas é a uniformização do processo seletivo entre as sete consorciadas. Além disso, será sugerida a criação de um Núcleo de Estudos Pedagógicos, que dentre outras funções, analisaria a criação de novos cursos nas diferentes áreas do conhecimento relacionado as potencialidades das diversas regiões das instituições. As universidades consorciadas pretendem ainda criar cursos de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e em Artes e Design com ciclos complementares profissionalizantes.
Pesquisa e Pós-Graduação
As consorciadas pretendem criar um Centro de Estudos Avançados visando à integração, ao fortalecimento e à expansão da pesquisa e da pós-graduação e a melhoria da inserção internacional da pesquisa brasileira. Pretende-se ainda criar programas de pós-graduação compartilhados em áreas estratégicas e mecanismos de cooperação entre os programas. As universidades também pretendem desenvolver projetos e formação de núcleos de estudos prioritariamente nas áreas de nanotecnologia, bioenergia, biodiversidade, meio ambiente, sustentabilidade, fitoterápicos e educação. Deverão ser criados centros de pesquisa em áreas estratégicas compartilhando infraestrutura de laboratórios.
Extensão e Cultura
A proposta é realizar por meio de um corredor cultural, a circulação e intercâmbio de grupos e artistas das universidades. Pretende-se também unir esforços para realizar projetos de extensão nas áreas de gestão de resíduos e de ações voltadas para políticas públicas.
Conheça os reitores das Universidades e as áreas em que atuaram como coordenadores na preparação da proposta.
Luiz Cláudio Costa - UFV - Coodenação geral
Henrique Miranda Chaves - UFJF - Pós-graduação
Renato de Aquino Faria Nunes - UNIFEI -Pesquisa
Paulo Márcio de Faria e Silva - UNIFAL - Graduação
Antônio Nazareno Mendes - UFLA - Planejamento e gestão
Helvécio Luiz Reis - UFJS - Extensão e Cultura
João Luiz Martins - UFOP - Assistência estudantil








