O caderno já integra o ensino em várias escolas de Belo Horizonte, Minas e até outros Estados
Ele proporciona uma aprendizagem gostosa e prazerosa como um bombom. Criado há quatro anos, o caderno Alibombom é uma alternativa pedagógica para minimizar a exclusão social pela falta de domínio do processo da escrita.
Ele é resultante do projeto elaborado por professores da Escola Municipal Júlia Paraíso, no bairro Alípio de Melo, região Noroeste de Belo Horizonte, e que surgiu da idéia da professora e pedagoga Maria das Graças Silva. Todos os dias, Maria das Graças chegava à sala de aula e numerava o quadro para orientar a escrita de seus alunos, ainda em processo de alfabetização.
Algum tempo depois, ela percebeu que, se enumerasse o caderno dos alunos de uma só vez, não precisaria desperdiçar horas que poderiam ser usadas no aprendizado.
A partir de então, ela viu que, mais funcional que isso, seria criar um caderno que já viesse pronto para as atividades. “A gente queria um material diferenciado porque a criança, nessa idade, tem vários detalhes que devem ser observados.
Elas estão em processo de formação da escrita e muitas não têm noção de lateralidade e limites”, destaca Maria. Segundo Maria Auxiliadora Moreira de Carvalho, professora e apoiadora do projeto, atualmente, o processo da escrita, responsável pelo estímulo de todo o desenvolvimento motor do indivíduo, vem se tornando uma grande preocupação dos educadores.
Isso porque a influência da computação e a digitalização dos meios de comunicação têm afetado a alfabetização dos alunos em todo o mundo.
“Qualquer criança consegue digitar um texto mesmo sem saber o que está lendo. E, com a internet, você aperta um botão e entra em contato com o mundo. O problema é que, dessa forma, criam-se escritores preguiçosos”, explica Maria Auxiliadora.
Uma letra bonita e legível é o que todo professor deseja de um aluno. E, de acordo com Maria das Graças, essa é a intenção do profissional da educação quando opta pelo Alibombom. Ele facilita a grafia correta das letras e sua visualização. Isso contribui para a organização espacial com mais independência e autonomia. “É no começo da alfabetização que devemos corrigir os erros. Passado o processo, não adianta querer mudar.
É igual a uma criança que está começando a andar. Depois que ela aprendeu, não adianta querer colocá- la pra começar tudo de novo”, compara Maria.
Em fase de alfabetização, geralmente, as crianças escrevem com mais força e acabam estragando o papel. O Alibombom, que se assemelha a um caderno de caligrafia, possui tamanho maior do que os convencionais e conta com uma gramatura especial das folhas internas, o que impede que elas fiquem marcadas e rasguem facilmente com o uso de borracha ou cola.
O caderno é destinado às crianças com idade entre 5 e 9 anos e adultos alfabetizandos, mas pode ser usado por outros níveis escolares, se necessário.A aluna Rebeca Sara Ângelo, 9 anos, está cursando o início do segundo ciclo e usa o Alibombom desde que foi criado. Ela diz que estudar ficou muito mais fácil com o caderno.
“Minha letra melhorou muito. Até meus pais acharam. Com o Alibombom eu não tenho que ficar fazendo margem e as folhas que colo no caderno não amassam mais, porque ele é maior”, explica Rebeca.
O caderno já é conhecido na área da educação, tanto na rede pública - é usado em outras escolas municipais e em algumas estaduais - e particular da capital, quanto no interior de Minas Gerais e até outros Estados.
No total, 172 instituições de ensino usam o material criado por Maria das Graças. “Ele é a expressão do desejo do educador e ao mesmo tempo da necessidade do pai.
Juntou-se a operacionalidade do trabalho do professor à demanda dos pais no suporte ao trabalho da criança”, ressalta Rosemeire de Jesus Silva, professora e apoiadora do projeto.
O Alibombom pode ser encontrado em várias livrarias e lojas atacadistas.
O grande esforço feito pelas professoras da escola Júlia Paraíso junto à Prefeitura de Belo Horizonte é para que o caderno passe a fazer parte do kit escolar distribuído pela rede municipal de ensino.
Fonte: http://www.assemp.org.br/jornais/setembro_2007/p5.asp








