Objetivos
Identificar substâncias químicas utilizadas no nosso cotidiano e estudar algumas de suas reações.
Quando vemos a fumaça de um cigarro não imaginamos que sua aparência homogênea esconda quase 5.000 substâncias. Também pouco sabemos sobre as características dos materiais e tintas que constituem as paredes das construções ou acerca dos ataques que objetos metálicos e peças de joalheria podem sofrer pela ação de compostos químicos. Tudo isso, que está acontecendo à nossa volta, encontra-se nas páginas de VEJA. Vale a pena propor um exame mais amplo e investigativo sobre a Química do nosso dia-a-dia. Quem diria que as nutritivas folhas de alface também contêm nicotina? Os temas podem render boas experiências.
Após a leitura do texto, convide a turma a listar o maior número possível de substâncias químicas presentes nos diversos locais da escola ou da casa de cada um. Para organizar as respostas, faça uma análise inicial sobre materiais utilizados na construção civil. No cimento, por exemplo, aparece como matéria-prima básica o calcáreo (fornecedor de CaO), além de óxidos de magnésio, silício, alumínio e férrico. A relação deve incluir, obrigatoriamente, os tubos de PVC, paredes coloridas, torneiras cromadas e um sem-número de outros itens.
Comente a composição descrita nas embalagens de tinta: dióxido de titânio, poliacetato de vinila, acetato de etila, acrilato de etila e lacas de nitrocelulose, além de outros produtos que dão o acabamento final. Lembre também que por dentro das paredes existem os fios de cobre e cabos elétricos, revestidos de polímeros apropriados. Destaque a função dos ácidos crômico e sulfúrico para garantir o brilho dos metais sanitários.
Encarregue os alunos de representar os óxidos mencionados por meio de fórmulas e classificá-los quanto ao caráter básico ou ácido.
Atividades
Sugira a comprovação do meio básico do cimento. Para tanto, basta que os jovens misturem um pouco desse material com água destilada e meçam o pH, ou usem um indicador químico ácido-base.
Em seguida, relacione algumas das substâncias que se originam da combustão provocada por um cigarro acesso ou uma queimada na mata. O cigarro sofre combustão graças às folhas secas do tabaco. Esse produto, de origem vegetal, libera mais de 4.700 substâncias na atmosfera enquanto queima — algumas delas no estado sólido (como o carbono), outras líquidas (é o caso do alcatrão) e gasosas (gases misturados à fumaça, entre os quais o monóxido de carbono). Proponha que os estudantes elaborem uma pesquisa para ampliar a listagem das substâncias gasosas originadas durante a combustão do cigarro.
Depois, surpreenda os jovens: revele que a nicotina aparece também nas folhas de alface, na pele dos tomates e em outras plantas, embora em menor proporção que no tabaco. Líquido incolor à temperatura ambiente e de aspecto oleoso, ela adquire a coloração marrom e odor característico quando exposta ao ar ou à luz. Proponha uma experiência para constatar a presença dessa substância nas folhas de alface. Pegue metade de uma folha do vegetal e enxugue com papel-toalha. Pique e coloque num tubo de ensaio. Leve o conjunto ao fogo, utilizando uma pinça de madeira, até queimar totalmente. Espere esfriar um pouco e aproxime do nariz para sentir o odor de cigarro, causado pela nicotina.
Lembre algumas características dos metais usados na fabricação de jóias. A prata (Ag), por exemplo, é mole se estiver pura. Por isso, costuma-se "misturá-la" com algum outro metal, de modo a formar uma liga, que é utilizada na confecção das peças. O valor comercial da jóia depende da quantidade de prata na liga. As jóias com alta porcentagem de prata pura também podem oxidar. Isso ocorre pela ação de compostos de enxofre presentes no ar, como o H2S. O "ataque" dessa substância acarreta a deposição, sobre a peça, de uma fina camada de sulfeto de prata que a escurece. Acompanhe com a turma os passos do quadro abaixo e mostre como retirar do metal esse sal inconveniente.
Para ir mais longe
Pergunte se os adolescentes sabem o que pode estar acontecendo na atmosfera naqueles dias chuvosos em que os relâmpagos tomam conta do céu.
Das chaminés das indústrias e dos escapamentos dos automóveis são liberadas grandes quantidades de compostos nitrogenados, além de substâncias com teores de enxofre. Os relâmpagos fornecem energia suficiente para reações entre o nitrogênio e o oxigênio do ar, produzindo o dióxido de nitrogênio. Em dias de chuva, esse gás reage com a água e forma um dos compostos responsáveis pela chuva ácida, o ácido nítrico. Tal substância decompõe materiais e peças à base de carbonatos, corrói metais e prejudica principalmente a vegetação. E a vida nos rios e lagos, como fica se houver alteração dos valores de pH?
Há espécies marinhas que não sobrevivem em ambientes onde predominam valores baixos de pH e correm, por isso, risco de extinção. Mas é preciso compreender que a chuva é naturalmente ácida por causa do gás carbônico eliminado na respiração dos seres vivos. Esse gás, combinado com a água, produz o ácido carbônico determinando o pH 5.5.
Discuta ainda com os alunos:
• Em períodos de alto índice de poluição, que valores de pH podem ser encontrados na água da chuva?
• Quais os males causados por essa chuva à vegetação? Por que isso ocorre?
Encomende um levantamento sobre outros produtos químicos domésticos, presentes principalmente nos materiais de limpeza e de uso pessoal.
Experiência
Limpeza da prata
Material necessário:
• Peça de prata escurecida;
• Folha de papel alumínio;
• Bicarbonato de sódio;
• Um palito de dentes; e
• Um béquer grande.
Procedimento:
Prepare uma solução aquosa de bicarbonato de sódio. Para tanto, coloque no béquer duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio, desses comprados em farmácia. Complete com água, de preferência destilada, até atingir o volume final de 1 litro total da solução. Peças muito grandes exigem o preparo da solução em maior quantidade e, também, um recipiente capaz de contê-las.
Agite o conjunto até a dissolução total do sal. Envolva todo o objeto de prata em uma folha de papel alumínio. Com um palito de dentes, faça alguns pequenos furos no papel, para que a solução de bicarbonato de sódio possa ter contato com o objeto. Aqueça a solução até um ponto próximo à fervura.
Mergulhe nela a peça embrulhada no papel e deixe o sistema em repouso por aproximadamente 10 minutos. Retire a folha de papel alumínio e verifique se a peça está livre de manchas. Se necessário, repita o processo. Discuta as causas do escurecimento do papel alumínio. Note que a peça ficou livre do sulfeto de prata e voltou a brilhar.
Equacione a reação química envolvida no processo e recorde a reação química de deslocamento e reatividade química dos metais:
2Al(s) + 3Ag2S(s) —> Al2S3(s) + 6Ag(s)



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