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Revolta popular no Egito

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Objetivos
Com base em dados, pesquisas e materiais de imprensa, discutir a natureza da crise política e das revoltas populares no Egito e avaliar suas repercussões

Conteúdos
Egito: economia, política, cultura e sociedade;
Revoltas e protestos populares;

Tempo estimado
Cinco aulas

Introdução

País de tradições milenares e um importante pilar no complexo quadro geopolítico do Oriente Médio e do norte da África, o Egito vem sendo sacudido nas duas últimas semanas por fortes protestos populares. Jovens e velhos, homens e mulheres, seculares e religiosos saem aos milhares todos os dias às ruas exigindo a imediata deposição do presidente Hosni Mubarak. No poder há cerca de trinta anos, nos últimos dias Mubarak vem fazendo seguidas concessões para acalmar ânimos e com vistas a ainda permanecer no poder. Entre as ações estão a demissão de seu gabinete ministerial, a nomeação de um vice-presidente, Omar Suleiman, encarregado de negociar com a oposição, a declaração de não mais se candidatar a presidente e a retirada de toda a cúpula de seu partido, o PND, incluindo seu filho Gamal - que o ditador preparava para ser o seu sucessor.

 

A forte instabilidade política no Egito não é um fato isolado na região: o movimento contra Mubarak ocorre na esteira do bem-sucedido movimento popular que depôs o também ditador Ben Ali na Tunísia. Antes disso, em 2009, a opinião pública mundial acompanhava os fortes protestos no Irã, em que a oposição se manifestava contra fraudes na eleição que reconduziu Mahmoud Ahmadinejad ao poder. Hoje já se observam protestos e manifestações também na Síria, Jordânia, Argélia e Iêmen, além de instabilidades no Bahrein. VEJA desta semana oferece uma série de reportagens, dados, cronologia da crise e artigos de especialistas sobre o conflito na terra dos faraós. Em meio a um quadro repleto de incertezas, convide a turma a saber mais sobre a mobilização popular e os cenários futuros para o país.

Desenvolvimento

1ª e 2ª aulas
Converse com a turma sobre o que já sabem a respeito dos conflitos no Egito e suas repercussões regionais e mundiais. Peça que se os estudantes dividam em pequenos grupos e proponha que façam um levantamento sobre o país. Oriente a turma a buscar as seguintes informações: bases econômicas e demográficas do país; quadro político e social; mapa atual; cronologia recente da participação egípcia na geopolítica do Oriente Médio; vínculos do país com os EUA e Israel (veja referências para a pesquisa ao final deste plano de aula).

Proponha a leitura das reportagens Egito em números, O futuro incerto da economia egípcia e Turbulências atingem nove países em 2011, publicadas no site VEJA.com. Peça que os alunos façam uma leitura criteriosa delas. Em seguida, proponha que cada grupo elabore sua própria cronologia dos protestos, preparando uma galeria de imagens e textos.

Acompanhe o trabalho dos grupos e apresente mais informações sobre o Egito (aproveite o texto abaixo).


Texto para o professor - Egito

O Egito é o berço de uma das mais antigas civilizações, palco para obras grandiosas construídas ao longo das dinastias dos faraós - como as pirâmides. País mais populoso do mundo árabe, com cerca de 80 milhões de pessoas, e atravessado de norte a sul pelo rio Nilo, tem sua população concentrada às margens do rio – onde estão as terras mais férteis e o principal da produção agropecuária – e na orla do mar Mediterrâneo.

Sua economia está baseada em uma vigorosa "indústria" do turismo (milhões visitam seu patrimônio cultural e os balneários da Península do Sinai), reservas de petróleo (exporta excedentes para vizinhos, como a Jordânia) e na gestão do Canal de Suez, por onde circulam navios-tanque com petróleo do Oriente Médio para o Ocidente. Há também ajuda externa ao país, como a enviada pelos EUA.

Apesar da riqueza cultural e econômica, boa parte dos egípcios vive na penúria: cerca de 45% vivem com menos de US$ 2,00 por dia, o desemprego é elevado e o país ocupa apenas a 110ª posição no ranking do IDH. Por mais paradoxal que isso seja num país tão singular sob o governo de Mubarak cerca de um terço da população não sabe ler e escrever. Assim como em outros países, governados por monarcas e déspotas, a ausência de liberdades democráticas e o grave quadro social foram o estopim da crise e da onda de protestos no país, tendo a praça Tahrir, no Cairo, como epicentro do movimento.



Para finalizar, peça que os grupos preparem quadros-síntese e acrescentem essas novas informações à cronologia.


3ª, 4ª e 5ª aulas
Explore com a turma a política interna e as relações externas do Egito, em especial com os EUA e países da região, incluindo Israel. Explique que as turbulências políticas afetam interesses diversos, gerando muitas análises e cenários, alguns deles sombrios, apesar do valor e importância da mobilização social no país.

Peça que os estudantes leiam e discutam as reportagem Oposição foi sufocada por 30 anos (em que são apresentados os principais partidos egípcios e os movimentos de oposição), Cresce pressão por transição imediata e Confronto opõe simpatizantes e opositores de Mubarak.

Esclareça aos alunos que o Egito teve um papel decisivo nas relações de poder no Oriente Médio nas últimas décadas (aproveite o texto abaixo para preparar a explicação).


Texto para o professor - Oriente Médio

Na década de 1950, sob a liderança de Gamal Abdel-Nasser, a monarquia egípcia foi deposta. Nasser, então uma liderança dos países pobres, busca aglutinar os países árabes sob uma perspectiva nacionalista. Em 1967, o país perde a Península do Sinai e a Faixa de Gaz para Israel, na famosa Guerra dos Seis Dias. Nasser morre três anos depois e assume o poder o seu vice, Anuar Sadat. Após sucessivos conflitos, Sadat e Menachem Begin, primeiro-ministro israelense, assinam os acordos de paz de Camp David, com a mediação do presidente norte-americano Jimmy Carter. Como resultado, cessam os confrontos armados e o Sinai é devolvido ao Egito.

Em função deste acordo, Sadat é assassinado por militantes fundamentalistas islâmicos, que recusam qualquer acordo com os israelenses. O seu sucessor é Hosni Mubarak, que mantém os acordos com Israel, apesar da forte pressão do mundo árabe-muçulmano. Ao longo do tempo, Mubarak – general de origem – manteve-se no poder e instalou um regime basicamente assentado no poder e onipresença das Forças Armadas. Além da participação na vida política do país, a presença militar no regime é tão forte que muitos generais aposentados assumiram cargos de direção de empresas.


Questione os estudantes a respeito da posição titubeante de lideranças ocidentais diante dos episódios no Egito. Barack Obama e Hillary Clinton pregaram inicialmente a importância dos valores democráticos – embora seja conhecida a proximidade dos governos norte-americanos do regime de Mubarak, visto como essencial para a estabilidade na região, em especial nas relações com Israel. Não se pode esquecer aqui o apoio dos EUA a ditaduras e regimes monárquicos na região - caso da Arábia Saudita –, em face de seus interesses, como o de garantir o acesso ao petróleo da região. Ou seja, agora se pede democracia em um regime que até ontem era aliado inconteste. Diante da continuidade dos protestos, que não estão cedendo enquanto Mubarak não deixa o poder, esses e outros líderes passam a falar em “transição imediata”. Chame também a atenção para as tímidas declarações ou o silêncio de alguns governantes europeus.

Assinale para a turma que nos episódios recentes a série de concessões feitas pelo regime, diante da forte pressão popular, combinou-se com medidas de repressão e contra os manifestantes – seja bloqueando a internet ou enviando milícias armadas e violentas para o confronto com os opositores nas ruas de várias cidades e na Praça Tahrir. Recomende a leitura das reportagens Cerco à internet derruba 93% da rede egípcia e Mubarak é acusado de incitar violência. Comente que muitos jornalistas estrangeiros foram presos, torturados ou impedidos de trabalhar. O uso extremo da violência pode ser um sintoma da progressiva perda de poder e da autoridade do regime autoritário (e não o contrário), como já assinalou certa vez a pensadora Hannah Arendt.

Diga à classe que os cenários indicam, por enquanto, o esforço de formação de ampla coalizão das forças da oposição, com a presença de lideranças de vários partidos e personalidades como o Prêmio Nobel da Paz, Mohamed El-Baradei – bem-visto pelo Ocidente por ser um líder moderado, há muito residindo fora do país. Há receios entre ocidentais e israelenses da participação mais efetiva de grupos islâmicos, tais como a Irmandade Muçulmana. No entanto, esta organização tem tido posição secundária e mais reservada na marcha dos protestos. De outro lado, a explosão de um gasoduto que liga o Egito a Israel e Jordânia deixa dúvidas quanto à participação de grupos extremistas.

Para finalizar, proponha que os grupos organizem as informações sobre o quadro político interno do Egito e os desenlaces de caráter econômico e geopolítico. Com base nos dados e pesquisas, promova um debate em sala de aula sobre o tema. Estimule os estudantes a apresentar suas considerações e encomende dissertações individuais. Assinale também que os próximos passos e desfecho da crise política no Egito não se encerram neste plano de aula. Convide a turma a acompanhar o desenrolar dos conflitos no país.

Avaliação

Leve em conta a participação de cada estudante nas tarefas individuais e coletivas. Examine o domínio de informações, conceitos e processos em jogo e sua expressão nos debates orais. Verifique também a produção escrita a partir dos trabalhos em grupos, das cronologias e galerias de imagens e das dissertações individuais.

 

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/revolta-popular-egito-617945.shtml

 
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