Objetivos
2) Refletir sobre os usos da concordância verbal na produção de textos (orais e escritos).
Desenvolvimento
2) Peça aos alunos que analisem a seguinte frase:
"O marido e a mulher gasta muito na feira".
Nesse caso, temos sujeito composto com verbo no singular. Discuta com os alunos que esse é um uso presente em algumas variações lingüísticas que fazem uma simplificação das formas verbais, em que há apenas duas formas, como por exemplo:
Eu falo
Tu/você fala
Ele ou ela fala
Nós fala
Eles fala)
3) Ouça com eles a canção "Cuitelinho"
(de domínio popular) e vejam como são os usos da concordância verbal na letra da mesma:
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Cheguei na bera do porto Quando eu vim de minha terra, A tua saudade corta |
4) Problematize com os alunos os usos da concordância na canção, esclarecendo que a variação lingüística usada é peculiar de certas regiões do Brasil e de alguns setores sociais.
No entanto, isso não é demonstração de "burrice" ou "ignorância", pois há toda uma lógica lingüística que se traduz em uma regularidade gramatical que usa duas formas verbais apenas: uma que marca a 1a pessoa do singular e outra que marca as demais (1a do plural, 2a do singular e 3a pessoa do singular ou do plural).
5) Peça aos alunos que pesquisem os diferentes usos orais da concordância verbal para que analisem os modos diferentes em que se dá a relação sujeito e verbo.
6) Em seguida, discuta com os alunos que a concordância verbal, ditada pela gramática normativa defende que o verbo concorda com o sujeito em pessoa e número, como por exemplo: "O peixe boiava no lago poluído e parecia morto". "Os peixes boiavam no lago poluído e pareciam mortos".
7) Reflita ainda com os alunos que, em alguns casos, torna-se difícil fazer a concordância verbal, de acordo com a gramática normativa. Discutam alguns casos, como os abaixo:
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Regras
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Exemplos
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Sujeito composto anteposto ao verbo = verbo no plural. |
A moça e o rapaz chegaram tarde. |
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Sujeito composto posposto ao verbo = verbo no plural ou concorda com o núcleo mais próximo. |
Falarão o garoto e a garota. |
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Sujeito composto de diferentes pessoas= o verbo vai para o plural na pessoa gramatical de número mais baixo (1a,2a,3a). |
Eu, tu e ele vamos sair. (1a pessoa do plural = |
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Sujeito coletivo |
O bando chegou com fome. |
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Sujeito formado por nomes próprios que só tem plural |
Os Estados Unidos ficaram mais poderosos. |
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Verbo apassivado pelo pronome “se” concorda com o sujeito. |
Discutiu-se a estratégia. |
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Verbo com “se” como índice de indeterminação do sujeito. |
Assistiu-se àquela demonstração de afeto, |
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Verbos impessoais ficam sempre na 3a pessoa do singular. |
Haverá problemas sempre na vida.(verbo Fez invernos intensos nos últimos anos. |
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Concordância do verbo “ser” -o sujeito e o predicativo são nomes de coisas, o verbo vai preferencialmente para o plural, mas é possível concordar com o termo que se quer destacar; -o sujeito ou o predicativo são nomes de pessoas ou pronome pessoal, a concordância é com a pessoa gramatical; -o sujeito é um dos pronomes tudo, isso, isto, aquilo, o verbo concorda com o predicativo; -quando houver indicação de hora e distância, o verbo concorda com o predicativo; -com as expressões é muito, é pouco, é tanto, é mais de, é menos de, o verbo fica invariável; -nas indicações de dia do mês, o verbo pode ficar no singular ou no plural. |
As plantas são a paixão dela.
Ele era as esperanças dos pais.
Dois metros é muito para a roupa.
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8) Por fim, ouça com os alunos a canção "fora de si"
, de Arnaldo Antunes.
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fora de si
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eu fico louco eu fico um pouco eu fico oco |
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Arnaldo Antunes. "Ninguém", Ariola, 1995 |
9) Analise com os alunos de que maneira o poema gira em torno das idéias de "se estar fora de si", "louco", "sentir-se vazio". Vejam como causa estranhamento a presença não usual da concordância entre algumas palavras.
Essas transgressões são intencionais, pois têm uma finalidade de expressar a própria loucura do mundo contemporâneo, quando não se sabe o que diz, quando os pensamentos ficam embaralhados, quando não sabemos quem somos.
Há, assim, a idéia de uma 3a pessoa, além do "eu poético", pois as concordâncias ora ficam na 1a pessoa, ora na 3a , independentemente das regras convencionais da gramática. É como se o "eu poético" fosse também constituído de um outro, uma terceira pessoa. Ou, dito de outra forma: há no poema, desvios do português padrão cuja inventividade extrapola a norma e até mesmo a transgride, poeticamente.
Fonte:http://educacao.uol.com.br/planos-aula/ult3900u111.jhtm








